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  Quem Somos

A Casa 3.336, da Avenida Cabo Branco, banhada, a cada manhã, pelo primeiro Sol das três Américas, incorporou-se à história e à cultura brasileira desde sua construção, no início dos anos 50. A dimensão do proprietário, José Américo de Almeida, sempre atraiu a este endereço figuras de projeção nacional nos campos da política, das artes ou da literatura, quando de passagem por João Pessoa.

Entretanto, sua convivência com o centro do poder e as mentes mais privilegiadas do País não diminuiria a atenção que dispensava à Paraíba e sua gente. O confinamento espontâneo que decidiu experimentar a partir de 1958, quando abandonou a vida pública, não pôde, portanto, ser completo. Sempre requisitado, nunca deixou de transmitir suas experiências a políticos, professores, jornalistas, líderes sindicais e escritores mais jovens.
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O teto sob o qual viveu por mais de 20 anos, seus ambientes e recantos prediletos, oferecem-se, desde 1982, à visitação pública. Aqui, nada é escondido dos olhos e sentidos dos visitantes. Nem o Mausoléu, onde jaz ao lado da inseparável Alice, obra do arquiteto iraniano Baham Khorramchahi, inaugurado em 20 de janeiro de 1983, com a presença do Presidente João Baptista Figueiredo e da Ministra da Educação Esther de Figueiredo Ferraz.

O repasse do imóvel ao patrimônio histórico e cultural dos paraibanos foi um processo iniciado pela Lei Estadual 4.195, de 10 de dezembro de 1980, criando a Fundação Casa de José Américo, composta, basicamente, do Museu, da Biblioteca e dos Arquivos dos Governadores e outros políticos e intelectuais paraibanos. Da inauguração, em 11 de janeiro de 1982, participava o Vice-Presidente da República Aureliano Chaves.

O carro-chefe da instituição são os arquivos com mais de 300 mil documentos, entre manuscritos e impressos em geral, fotos e peças de áudio e vídeo. Fonte de estudos para melhor conhecimento da realidade brasileira a partir de 1930, tal acervo é visto como uma preciosidade da história contemporânea nacional.

A Fundação Casa de José Américo dedica-se a promover a publicação sistemática da obra de José Américo e de sua crítica e interpretação, assim como a realização de estudos científicos, artísticos e literários. Esforça-se para manter os Arquivos, o Museu e a Biblioteca acessíveis ao uso e consulta públicos. Cuida da promoção de estudos, conferências, reuniões ou prêmios que visem à difusão da cultura e da pesquisa, organizando, igualmente, estudos e cursos sobre assuntos políticos, jurídicos, econômicos, literários ou outros, relacionados com a vida e a obra de José Américo, e aspectos pertinentes ao regionalismo nordestino. Atualmente, seguindo orientação do Governador Cássio Cunha Lima, destina-se a elaborar e executar projetos que apóiem os programas governamentais de educação para a cidadania.

Na casa, que guarda móveis e objetos pessoais, ainda parece ecoar o discurso do General Reinaldo Almeida, proferido nos idos de 82. Ele falava, então, da participação ativa do pai em quatro movimentos revolucionários:

1) O Modernismo de 1922, com o lançamento do livro "A Bagaceira", perfil da realidade social do Nordeste; 2) A Revolução de 1930, da qual José Américo foi líder na Paraíba; 3) A frustrada candidatura à Presidência da República, em 1937, não concretizada devido ao golpe de estado liderado por Getúlio Vargas; 4) A redemocratização do País, em 1945, deflagrada com a célebre entrevista a Carlos Lacerda, publicada no "Correio da Manhã".

Não menos ressonantes são as palavras de Aureliano Chaves e os aplausos delas decorrentes: "José Américo, homem de pensamento e ação, honrou seu País e fez com que sua vida longa e expressiva o tornasse um arquétipo para todos os brasileiros".