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O Governo do Estado
da Paraíba, através da Secretaria da Educação e
Cultura, do Conselho Estadual de Cultura e da
Fundação Casa de José Américo, abre na próxima
sexta-feira (16/05), na cidade de Areia (Patrimônio
Nacional), o ciclo comemorativo pelos oitenta (80)
anos da obra "A Bagaceira", de autoria do saudoso
Ministro José Américo de Almeida, ex-Governador da
Paraíba, membro da Academia Brasileira de Letras e
personagem decisivo na cultura e na política do seu
tempo. As comemorações se
estenderão de 16 de maio a 15 de agosto do corrente
ano e são fruto de programação organizada por uma
comissão executiva nomeada pelo Governador do Estado
da Paraíba, Cássio Cunha Lima, e que é composta pelo
Secretário da Educação e Cultura do Estado, Neroaldo
Pontes de Azevedo, pelo Presidente da Fundação Casa
de José Américo, Flávio Sátiro Fernandes Filho, pelo
Presidente da Academia Paraibana de Letras, Juarez
Farias, pelo Historiador José Octávio de Arruda
Mello e pelo Secretário de Turismo da cidade de
Areia, Ney Vital.
A abertura da programação ocorre
durante o aniversário da cidade de Areia-PB, com a
participação do Prefeito Elson Cunha Lima Filho, de
membros do Conselho Estadual de Cultura, estudantes,
pesquisadores, admiradores e conterrâneos de José
Américo de Almeida.
Durante a programação, estão
previstas visitas ao Museu José Américo, em João
Pessoa-PB, palestras, exposições e o lançamento de
editais para publicações de obras relacionadas com o
tema.
A
BAGACEIRA - A Bagaceira é um
romance do escritor que foi publicado em 1928 e é
considerado o marco inicial do romance regionalista
do Modernismo brasileiro.
O enredo baseia-se no êxodo da seca de 1898.
"(...) Uma ressurreição de cemitérios antigos
- esqueletos redivivos, com o aspecto e o fedor das
covas podres.(...)".
O enredo central gira em torno de um triângulo
amoroso entre Soledade, Lúcio e Dagoberto. Soledade,
uma retirante da seca, chega ao engenho de
Dagoberto, pai de Lúcio, acompanhada de vários
retirantes: Valentim, seu pai, Pirunga, seu irmão de
criação e outros que fugiam da seca. Lúcio e
Soledade acabam se apaixonando. A relação entre
ambos ganha ares dramáticos no momento em que
Dagoberto, o dono da fazenda, violenta Soledade e
faz dela sua amante.
Essa história trágica de amor serve ao autor,
político paraibano, puramente como pretexto para que
denuncie a questão social no seu estado e no
Nordeste, em especial, o aspecto da seca e da
necessidade da população. É feita também uma análise
da vida dos retirantes que surgem nas bagaceiras dos
engenhos, quando ocorrem as estiagens, não sendo bem
vistos pelos brejeiros (trabalhadores permanentes
dos engenhos).
O Professor Joel Pontes, da UFP, em crítica
publicada no Pequeno Dicionário da Literatura
Brasileira, diz que o "romance foi publicado na hora
certa e fez séria oposição ao cosmopolitismo dos
modernistas da fase inicial". Ainda segundo o
professor, A Bagaceira foi importante base para as
obras de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e
Raquel de Queiroz. O professor continua, afirmando
que personagens como Dagoberto, Pirunga e Soledade
retornam mais bem caracterizados nas obras
posteriores dos escritores citados, deixando claro,
contudo, que que o romance tecnicamente não inova a
prosa nordestina, pois ainda é um romance de tese.
Isso pode ser percebido no capítulo "O Julgamento",
que é típico dos romances do século XIX e também
presente em "Os Sertões", de Euclides da Cunha.
O ponto de destaque do romance é o aspecto
sociológico e a poetização de cenas e sentimentos,
sendo que estes dois detalhes por si sós já colocam
o romance como uma obra importante da literatura
brasileira em todos os tempos.
Segundo o Presidente da Fundação Casa de José
Américo, Flávio Sátiro Fernandes Filho, ainda hoje
"A Bagaceira" é reeditada, com mais de 40 edições,
todas pela tradicional Editora José Olympio, no Rio
de Janeiro.
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