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   Notícias da Fundação

A BAGACEIRA:

 

GOVERNO DO ESTADO LIDERA COMEMORAÇÕES PELOS 80 ANOS DE IMPORTANTE OBRA LITERÁRIA

 

O Governo do Estado da Paraíba, através da Secretaria da Educação e Cultura, Sub-Secretaria de Cultura, Conselho Estadual de Cultura e Fundação Casa de José Américo, deu inicio aos primeiros passos para montagem da programação comemorativa pelos oitenta (80) anos da obra A BAGACEIRA, de autoria do Ministro José Américo de Almeida.

 

Uma comissão executiva, integrada por membros do Conselho Estadual de Cultura, deverá ser nomeada pelo Governador Cássio Cunha Lima e dela participarão, entre outros, o Secretário Neroaldo Pontes de Azevedo, o Presidente da FCJA, Flávio Sátiro Fernandes Filho, o Presidente da Academia Paraibana de Letras, Juarez Farias e o Acadêmico de Historiador José Octávio de Arruda Mello. Também serão convidados a integrar o movimento, integrantes da Prefeitura Municipal de Areia, terra de José Américo.

 

    A BAGACEIRA - É um romance do escritor José Américo de Almeida, que foi publicado em 1928 e é considerado o marco inicial do romance regionalista do Modernismo brasileiro. O enredo baseia-se no êxodo da seca de 1898.

"(...) Uma ressurreição de cemitérios antigos - esqueletos redivivos, com o aspecto e o fedor das covas podres.(...)".

O enredo central gira em torno de um triângulo amoroso entre Soledade, Lúcio e Dagoberto. Soledade, uma retirante da seca, chega ao engenho de Dagoberto, pai de Lúcio, acompanhada de vários retirantes: Valentim, seu pai, Pirunga, seu irmão de criação e outros que fugiam da seca. Lúcio e Soledade acabam se apaixonando. A relação entre ambos ganha ares dramáticos no momento em que Dagoberto, o dono da fazenda, violenta Soledade e faz dela sua amante.

Essa história trágica de amor serve ao autor, político paraibano, puramente como pretexto para que denuncie a questão social no seu estado e no Nordeste, em especial, o aspecto da seca e da necessidade da população. É feita também uma análise da vida dos retirantes que surgem nas bagaceiras dos engenhos, quando ocorrem as estiagens, não sendo bem vistos pelos brejeiros (trabalhadores permanentes dos engenhos).

O Professor Joel Pontes, da UFP, em crítica publicada no Pequeno Dicionário da Literatura Brasileira, diz que o "romance foi publicado na hora certa e fez séria oposição ao cosmopolitismo dos modernistas da fase inicial". Ainda segundo o professor, A Bagaceira foi importante base para as obras de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Raquel de Queiroz. O professor continua, afirmando que personagens como Dagoberto, Pirunga e Soledade retornam mais bem caracterizados nas obras posteriores dos escritores citados, deixando claro, contudo, que que o romance tecnicamente não inova a prosa nordestina, pois ainda é um romance de tese. Isso pode ser percebido no capítulo "O Julgamento", que é típico dos romances do século XIX e também presente em "Os Sertões", de Euclides da Cunha.

O ponto de destaque do romance é o aspecto sociológico e a poetização de cenas e sentimentos, sendo que estes dois detalhes por si sós já colocam o romance como uma obra importante da literatura brasileira em todos os tempos.