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Recordando um mestre
Wellington Aguiar (01/04/2003)
O meu amigo Juarez da Gama Batista não chegou a viver cinqüenta e cinco anos. Já o conhecia e admirava quando, em 1966, ele se tornou meu professor na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras - FAFI. Não tenho dúvida em afirmar que foi o grande, o infinitamente maior dos mestres daquela Casa.
Na verdade, a FAFI, com umas três ou quatro exceções, era viveiro de professores medíocres. Suas aulas se tornavam um interminável blablablá.
Mas o pessoense Juarez Batista salvava a Instituição. Ensinava literatura brasileira, e sabia tudo. Aulas magníficas. Parece que estou vendo: ele chegava sempre bem vestido, elegante mesmo. E nos falava sobre a obra de Guimarães Rosa, um dos seus escritores preferidos. Não esquecia de analisar José Lins do Rego (seu amigo pessoal), José Américo, Jorge Amado e mais alguns expoentes das letras nacionais. Eu aprendi muito nesse tempo...
Visitei-o algumas vezes na casa da Avenida Tabajaras. Com ele sempre estavam Lígia, a inteligente companheira, e os filhos. Uma família adorável, unida, muito educada. Ali eu passava horas a conversar com Juarez Batista. Na verdade, passava horas a beber seus conhecimentos.
Homem de fino trato. Nunca elevava a voz. E escrevia com elegância e precisão poucas vezes igualada. Se tivesse vivido no Rio de Janeiro ou em São Paulo seria escritor nacional. Como Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos, entre outros.
Soube que a Fundação Casa de José Américo homenageou o nosso Juarez, dando-lhe o nome ao seu auditório. Nada mais justo, inclusive porque nos tempos que correm somente os poderosos vivos é que estão recebendo esse e outros tipos de homenagem. O que é deplorável.
Nunca esqueci o autor de "31 Histórias do Arco-da-Velha". Quando ocupei a presidência da Fundação Cultural do Estado da Paraíba, promovi a segunda edição de "Caminhos, Sombras e Ladeiras", seu belo livro que é um ensaio de sociologia e ecologia urbana. Foi em 1989. E significou uma das primeiras homenagens após o falecimento do notável mestre, que tanto fez pela cultura, pelas letras e pela inteligência da terra natal.
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