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  Documentos Importantes » MENSAGEM A CAMPINA GRANDE

Discurso de José Américo na inauguração da praça e do busto em sua homenagem, na cidade de Campina Grande, em 10 de janeiro de 1945, dia do seu aniversário.
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Mensagem a Campina Grande

Se me tivesse sido dado escolher o lugar para o meu busto, não poderia ter sido outro. Seria mesmo nesse ponto intermediário, no centro mais propício que o granito ergueu, como um pedestal, antes da mão do homem, porque, estando aí, estarei em toda a Paraíba. Só assim poderei experimentar, ao mesmo tempo, os eflúvios mais gratos da natureza natal: o ar quente dos sertões, aquecendo o bronze, como se lhe estivesse transmitindo uma alma e as brisas do litoral refrigerando-o, para que essa alma nunca deixe de ser generosa e amiga, na sua missão humana e patriótica. Seria mesmo nesse mirante privilegiado, donde se pode olhar para todos os lados, procurando, enfim, no alto, a imagem única, como quem mira as estrelas do mesmo céu, sem saber o chão que iluminam.

E, se tivesse sido ouvido, ainda teria pedido que me colocassem o lado do coração para além-serra. Para os cenários da seca que tanto sofreram e me fizeram sofrer.

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Campina Grande, serra irmã da minha, daquela que me deu vida, ela te agradece teres me dado outra vida: a da estátua que sobrevive. Quando lá eu já for pó, aí serei bronze. Conferiste-me a imortalidade da escultura; passo a ser maior que a própria vida.

Foste a mais constante testemunha das minhas lutas pela nossa terra. Passei por aí para ir lutar com o homem e a natureza. Para enfrentar as três calamidades que atormentam o mundo: a guerra e, depois, a seca, companheiras da fome e da peste, num dos seus mais violentos paroxismos.

Aí parei, muitas vezes, para respirar de longas e penosas jornadas, na doçura do teu clima.

Como que tua homenagem simboliza um desses instantâneos do destino.

Viste com que ânsia eu procurava tirar da própria natureza revoltada sua defesa racional: prender a água que fugia nos bons tempos para protege-la do sol que se tornava hostil. E como, na hora tremenda dos ajustes de contas, compreendi que a vitória não podia ser outra espécie de guerra, mas o benefício da paz. Num e noutro caso, fiz mais do que expor a vida: poupei outras vidas.

Foi um desses momentos que surpreendestes e perpetuaste, vinculando-me para sempre ao teu seio, como se também para a vida eu tivesse parado no meio do caminho. Das próprias estradas que ajudei a criar, trazendo aí outras terras dos confins que atingem esses pontos de união.

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Campina Grande, o nome é quase sempre uma contradição. Só o teu não se desmente. Tens o destino de crescer, a vocação da grandeza. E sabes também que a maneira mais natural de engrandecer a terra é engrandecer os seus homens.

Com a tua generosidade criaste para mim um compromisso mais duradouro e inflexível que a própria matéria com que esculpiste a minha imagem. Pagaste-me num metal que é um preço da glória o que ainda não fiz para merecê-la. E eu te direi por essa boca mais muda que não pode fazer promessas vãs: Se viver até lá, saberei ser o paraibano que a Paraíba ainda precisa para não esquecer o seu passado e construir o seu futuro. Mostrarei a fidelidade que lhe devo por não ter esquecido, quando eu mesmo parecia ter deixado de existir, porque a vida só é digna desse nome enquanto é útil e produtiva.

Nada mais desejo. Nada mais espero ter. Mas desejarei tudo e esperarei ter tudo que possa reverter em benefício e grandeza da minha terra, porque só assim ficarei também como o espírito na altura que me colocou, em nome da Paraíba, o sentimento fraterno de Campina Grande. Mas, se não se consumar minha missão, ouvireis, nas vossas noites de silêncio, desses lábios gelados, entre imprecações e lamentos dos bravios ventos serranos, meu grito de revolta e desespero.

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