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Nery, Lula e o ministro
O jornalista Sebastião Nery dedicou toda a sua coluna de ontem, na Tribuna da Imprensa, ao ministro José Américo de Almeida, com quem sempre aproveitava para bater um papo. Melhor dizendo, para aprender as coisas.
Nery, no texto de ontem, relembra as conversas com o ministro e chega a traçar comparações entre ele, que quase foi presidente da República, e Lula.
"Era nordestino como Lula. Do seco e duro Nordeste, como Lula" - diz o jornalista, para logo a seguir completar: (José Américo) chegou à beira da Presidência e só não foi presidente, como Lula, por causa do golpe de 37. Mas, para barrá-lo, Getulio teve que dar um golpe".
E continua Nery: "De José Américo de Almeida se disse que era um homem de aço. Não vergava, não quebrava. E deixou uma grande lição: no Brasil, o governante não pode ceder às elites, que sempre fazem todo tipo de cerco para domá-lo e dominá-lo. As elites, desde Pedro Álvares Cabral, só pensam nelas".
O colunista cita esta pressão das elites para chegar a Lula. Segundo ele, "de Maílson da Nóbrega a George Soros, do mais sabujo dos lobistas ao especulador-mor, o jogo agora é elogiar Lula. Imaginam poder colocá-lo a serviço das elites contra o povo e o País".
E tem razão. Nery conta que José Américo foi, certa vez, abordado por um lobista que queria suborná-lo. "Eu era ministro do Tribunal de Constas, diz o paraibano ilustre, quando um barbudo, que tinha um processo para julgamento, cochichou-me: ‘Dou-lhe um agrado’.
Com a cara mais alegre deste mundo, admiti a corrupção: ‘Aceito’.
E antes que ele metesse a mão no bolso, disse-lhe o que desejava:
‘A barba. Quero sua barba. Preciso de uma vassoura para a limpeza da casa depois disso".
Segundo o colunista, há outra historinha que ilustra bem a relação do ministro com as elites:
"Ele conta que como ministro da Viação fez o saneamento da Baixada Fluminense. Teve de rescindir o contrato anterior e isso lhe deu dores de cabeça".
Relata José Américo: "Um interessado procurou meu consultor jurídico, Eugênio Lucena, para mandar-me um recado: ‘Diga-lhe que ou cede ou irei suicidar-me dentro do seu gabinete’.
A resposta foi trágica: "Se ele viesse matar-me não cederia, quanto mais se matando".
A coluna de Sebastião Nery me foi repassada pelo jornalista Petrônio Souto, hoje ocupando a Secretaria-Executiva da Fundação Casa de José Américo. Já está na homepage da fundação. E constitui-se num documento importante, quase um manual, sobre como as pessoas se devem portar na vida pública. Inclusive Lula.
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